Quarta-feira, Dezembro 22

Sobre meninos e meninas

Fato 1: uma menina pode ser burra, arrogante, vazia e metida o quanto for. Se ela for minimamente gostosa, na primeira oportunidade os mesmos caras que zuaram e falaram mal dela antes vão tentar comê-la (depois não reclama se o sobrenome virar Corrimão).
Pergunta: quem é o mais hipócrita?

Fato 2: todo mundo mente sobre tudo, tudo bem. Mas na hora de colocar no orkut ninguém lembra do que andou falando ou fazendo...
Pergunta: o que faz o povo pagar com a língua e outras partes do corpo, possivelmente a própria contradição?

Fato 3: quem escolhe um parceiro pela bunda merece ter um relacionamento de merda. Quem escolhe pelo dinheiro, merece ser chamado de prostituta ou gigolô. Não fui eu que inventei o conceito, coleguinhas. Digamos apenas que alguém com uma certa sagacidade resolveu resumir o que acontece com pessoas que tiveram a sorte ou o azar de nascer com genitais no lugar do cérebro.
Pergunta: porque quando alguma coisa de ruim acontece nesses relacionamentos ninguém se lembra disso? 

Fato 4: aquela música "Sweet Dreams", do Eurythmics, é uma verdade tão sólida que devia ter vindo escrita na Bíblia. Religiosos, contenham-se! Todo mundo está procurando alguma coisa - e raríssimas vezes é um relacionamento amoroso de verdade. Só querem usar e ser usados, como se não houvesse amanhã.
Pergunta: o caráter de uma pessoa pode ser medido pelas inconsistências? 

Agradeço se alguém souber as respostas e fizer a gentileza de compartilhá-las.
E não, esse post não é um delírio pós-Daime ou gerado por falta de sexo. Infelizmente a observação das pessoas e do mundo deixa de ser uma opção às vezes - as coisas acontecem e são ditas na sua cara, mesmo que você não tenha nada a ver com a história e tenha pedido para ouvi-la.

Segunda-feira, Agosto 2

Luscofusco

Uma flor que não aflora (não se deixa aflorar).
À noite, sozinha no quarto imenso, brinca nas águas revoltas
- um vaivém de destroços não degradáveis que dançam ao sabor da memória duvidosa,
do medo do desconhecido (um abismo chamado futuro) e do mormaço de um corpo febril, carente de respostas.
Mas quem não o é?

E tal como no poema do Drummond, a essência da solução pipoca rápida e solitária, límpida como uma pipa no céu, em meio ao mais completo caos de fios e barbantes emaranhados. Porque, afinal, é apenas uma questão de tempo para o Metapod ser o que é - depois há reinvenção e mais nada. É tudo muito lindo.

Ninguém diria que na busca por nuvens cor de rosa há que transpassar uma ponte em escala de cinza... muito menos eu.

Quinta-feira, Março 4

Tictac

Here I come but I ain't the same.

Com o passar das páginas do calendário, mudei. Mudei sem sentir, sem refletir as matizes dos pensamentos e emoções que urgem num rodamoinho fumacento de cores e cheiros dentro de mim. Mudei nas pequenas e grandes coisas, mudei de frequência e de roupa, sem dar a devida importância a cada pequeno segundo que me fazia mudar.

Hoje, questiono a minha sintonia com o mundo, com as pessoas ao meu redor. Sinto lá no fundo de mim, num lugarzinho lilás de intuição desfigurada, que o caminho que trilho marca o começo de um fim, e que o meu ser inteiriço tem os seus dias contados. A cada passo que dou rumo ao meu futuro, sei lá no fundo que precisarei deixar algo para trás. Eu, que geralmente sou tão desapegada, tão prática, não quero apontar desta vez o que vai sair do caminhão de mudanças. Fases vêm e vão, pessoas também. Mas eu realmente não gostaria que você fosse embora. Porque o amor não é suficiente?

Quarta-feira, Fevereiro 10

O ovo, a galinha e a Sarah Connor

Devo confessar: o "no fate but what we make" me causa reviravoltas estomacais. Tirando as cenas hilárias do Schwarzenegger nu em pelo roubando roupas e com uma queda muy fuerte por óculos escuros, minha cabeça foi e voltou numa viagem sideral. Primeiro que esse lance de destino x escolha já me deu nos nervos.

Quero dizer, o Desmond descobriu que tudo que ele fazia para salvar o Charlie não adiantava nada, pois apenas adiava a morte dele - bem nos moldes de Premonição 1, 2, 3 ad infinitum. Jack começou a se sustentar a base de uísque e bolinhas quando bateu o arrependimento de ter, supostamente, batido de frente com o destino. E o Locke, que deixou a vida levá-lo, está num limbo vivo-morto-possuído que vai se desdobrar esse mês (wee!).

E tudo volta com o rabo entre as patas para a filosofia do ovo e da galinha. Okay, faz sentido pensar que o ovo foi botado por um animal que não era uma galinha, mas uma mutação-pré-galinha. Mas que diferença faz saber quem veio primeiro? Se o neto voltar no tempo e matar o avô, ele consequentemente não vai existir... certo?

Sei lá. Só sei que acho o Kyle Reese um coitado e que ainda vou abrir uma fenda na lógica crítica e brincar de esconde-esconde no buraco de minhoca - um repeteco new-filoso-tecnológico de 30 anos atrás.

Quarta-feira, Janeiro 20

Auf wiedersehen

Adoro mudanças.
Quanto mais radicais, melhores.
Enquanto as pessoas fazem resoluções de começo de ano, eu não me faço proposta alguma. Falta de movimento me faz surtar e só isso já me leva pra frente. Ou pro lado, como vou saber.
Adeus trampo velho, feliz trampo novo. Inesperado, promissor e muito, muito bem-vindo.
Esse ano eu me formo, me mudo e me torno uma exímia motorista.
E ai de quem disser o contrário.

Domingo, Janeiro 3

Procura-se

A primeira noite do ano me trouxe uma angústia no peito. Já sabia o que era sem saber.
As coisas estão perdendo o sentido. Os dias estão se misturando, os ponteiros do relógio já não demarcam tempo algum. Me questiono o porque de fazer cada coisa e não encontro resposta para a maioria delas.
Isso ficou claro para mim durante as comemorações de natal e ano novo. Deve ser porque vou contra uma série de coisas - o lance do consumo em datas festivas, do dia marcado para reunir a família, da possibilidade falsa e equivocada de recomeçar. É revoltante ver um mundo colorido, brilhante e completamente oco - nem para os que enfeitam as árvores, nem para os que apenas espiam decorações alheias. Nada disso desperta reflexão, reconhecimento, nada; é tudo vazio de significado.

Tem gente que acredita que a comemoração do nascimento do Jesus torna essa época mais terna, com mais perdão, compaixão, solidariedade. Minha cabeça fica cheia de ecos sobre o absurdo real e contraditório da crença em uma pessoa que morreu por nós, que vive em nós e ainda assim, só se manifesta uma vez ao ano perante sua contribuição monetária piedosa para alguma causa xis - não por solidariedade ou engajamento, mas culpa e egoísmo de não suportar a própria imagem de lobo mau não contribuidor. Ninguém se importa se o "recebedor" é um parasita, um necessitado ou um mero acaso preguiçoso do destino. Merecer não tem valor.

Não sei dizer se  é ilusão, se estou imaginando coisas, se estou vendo coisas demais, se isso é mais uma faceta da vida real desvendada para mim. Só sei que me dá uma tristeza imensa não encontrar um jeito de acalmar o coração, de viver tensa e na expectativa de uma resposta que me traga um pouco de paz de espírito, que mostre um pouco de sentido às coisas. Sinto que ainda é preciso aprender muito, agir melhor, ser muito mais retilínea para ter o direito de cobrar o ângulo reto. Ainda é preciso sentir o gosto da terra e descobrir o quão frágil é a casca que habitamos. Ainda é preciso nascer todos os dias, em cada um deles.
Ah, como nascer é longo...

Segunda-feira, Dezembro 21

Avante!

Reconhecer. Este ano, esqueci que este é um verbo irregular da 2ª conjugação e aprendi, de fato, a conjugá-lo.
Reconheci a estrada e as pessoas que me trouxeram até aqui. Todo o esforço, no fim, é gratuito - mas tem retorno.
Reconheci a minha inocente ignorância e a beleza de tantos mundos a serem descobertos.
Reconheci o catolicamente profano e peguei pra mim. Seja o orgulho, a justiça, o pecado em formas mil. Porque é preciso aprender como é divino ser humano.
Reconheci com surpresa partes de mim mesma em pessoas insuspeitáveis. Reconheci amargamente pessoas que finjo harmonia. Aos primeiros, as portas abertas da minha casa e do meu coração. Aos outros, um sorriso sem dentes e uma trégua pacífica.
Reconheci a sede e a necessidade de paz de espírito. Disso ainda não sei, mas levo como meta.
Reconheci o tamanho do meu amor pelas vidas ao meu redor. Uma benção constante de uma fonte indizível há de signifcar boas ações numa vida passada.
Reconheci meus impulsos animalescos, infantis e naturalmente consumidores. São Paulo cosmopolita não me compra - só aos sábados.
Reconheci a tarefa árdua de reconhecer. Porque conhecer é fácil, mas distinguir exige axômios da alma. Admitir a verdade e o certo é coletivamente inútil, mas subjetivamente essencial. É olhar para si e aceitar o que se é - afinal, defeitos, passado e sonhos são os pilares da semente. É abraçar o válido e levar para a vida.
Praí sim poder pedir calma, paz e perseverança em continuar espalhando a vibe positiva por aí, a frente, a fora e a dentro! Opa!